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Chega uma hora que temos que  fazer um balanço do que fizemos para saber o que precisa ser feito. Há muito penso nisso e nunca consigo um  tempo só para mim. As solicitações vêm sempre em primeiro lugar, atendo a todos e as minhas coisas  fico postergando.  Já não dá para pular, pois vai avolumando de tal maneira que as  minhas pernas não mais alcançam o topo  da montanha de sentimentos, é tanta coisa para organizar que só agora tomo consciência disso.  Querendo ou não vou ser obrigada a parar e remover tudo, espalhar em cima do peito e ir jogando fora o que já venceu e arrumar o restante em caixinhas por ordem de prioridade. Foi o que fiz, à princípio pareceu-me fácil,  leudo engano, como é cruel livrar-se de coisas antigas que já estão empilhadas faz tanto tempo, se remexemos muito, destroem-se sozinhas. E assim,  de cá para lá, de lá para cá, com lágrimas, às vezes com  sorrisos, cheguei a conclusão que deu positivo, pois foram mais sorrisos e até gargalhadas. Cada lembrança!!!…  mas chegou em um determinado momento que só restou uma folha na pilha e aí eu parei.  A folha era tão linda, perfeita, apesar do tempo, brilhava tanto  como porpurina  em festa de criança, mas eu tinha que arrumar um lugar para ela, o certo seria  jogar fora mas estava tão nova, fiquei com pena e  mais uma vez a pilha recomeçou,  pois essa foi a primeira das coisas que ficam para depois e eu não sabia o que fazer com ela, não sabia como lidar com essa lembrança, eu já havia esquecido , como ressurgiu assim?  fiquei durante um tempo perplexa.   Quando começei a ler, logo após a primeira linha, um clarão explodiu e as lembranças voltaram de uma forma tão contundente, tão real, que  fechei os olhos e pude ouvir a sua voz, sentir o cheiro do seu perfume, o gosto da sua boca, sentia os seus braços em torno dos meus ombros e os carinhos nos meus cabelos da maneira que só você fez em mim. Revivi aquela festinha de sábado, onde trocamos o nosso primeiro beijo, ouvia as músicas, pude ver a cor da sua camisa, do meu vestido, dos amigos, enfim, a festa estava ali, bem na minha frente. Tremi de amor e ternura, chorei sim, mas de paz e alegria, sabendo que você ainda existia, dentro do meu ser.  Não eram mais lembranças, era real, Sentia tudo fisicamente, foi uma experiência magnífica e assustadora. Não sabia o que fazer com tanto amor, tanto carinho, tanta saudade… coloquei em uma caixa vazia e dei o nome “não sei lidar com isso”.

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